quarta-feira, 17 de abril de 2019

É o 4º Dia. Jesus, Simão e a Mulher




"E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher?" (Lc 7.44)

É o 4º dia.

Jesus está a descansar em Betânia. O dia anterior foi tenso, houve uma forte mensagem contra o estilo de vida dos Líderes religiosos e estes, se reuniram, procurando saber como irão detê-lo.

No escuro, na surdina, Judas resolve encontrar os Lideres religiosos e tenta negociar a entrega de Jesus.

E o Mestre? Onde está?

O Mestre está recebendo um convite para uma ceia, na casa de um fariseu chamado Simão, e aceita tal convite.

Na casa de Simão, Jesus se põe a mesa e começa a dialogar com os que ali estavam. De repente, o fluxo daquele diálogo é abruptamente interrompido. É que uma mulher, que o texto trata como, pecadora, aproveita a porta entre-aberta, e de súbito, entra aonde estão, Jesus, Simão e outros convidados. Ela vem trazendo em suas mãos um vaso de  άλάβαστρον (alabastron) uma caixa, contendo um perfume, e pôr trás de Jesus, derrama o perfume sobre ele e depois, ela se prostra, chorando lava os seus pés com as próprias lágrimas e com os cabelos os enxuga.

Que Cena!
Há um silêncio verbal na sala.
No interior de Simão, há palavras.

Para Cristo, as palavras são audíveis: sejam elas verbais ou silenciosas.

Há um cheiro de amor e arrependimento, mas há odor de acusações.

Simão, em seu interior, diz: "Se este Homem é profeta, deveria saber que tipo de mulher o toca neste momento".

Jesus houve tais palavras.
Não a como não lembrar do "Se". Lembram do deserto?

"Se tu és..." Sugeria, cinicamente o tentador.

"Simão!" Chama-o, o Mestre.

"Vês esta mulher?". 

Vês esta mulher, marcada por seus erros? Lembrada pela sua condição? Vês esta mulher, desprezada pela sociedade? 

"Vês...?". É uma pergunta que extrapola a qualquer compreensão.

Que olhar, nós lançamos sobre o outro? Como os nossos olhos os veem? A Nossa fita de medir, começa por onde? 

Jesus, olha para a mulher e diz: "Vai em Paz...".

Recomeça a tua vida! Vai por um outro caminho. Não rasgue as páginas da tua história, elas serão importantes amanhã, mas vira a página seguinte, escreve algo novo, longe dos olhos daqueles que lhe julgam. No entanto, saiba: nunca faltarão acusadores.

Escute: Meu olhar deve começar a olhar para mim! E então, após olhar para mim, esse mesmo olhar será purificado a fim de olhar o outro. Neste aspecto, o outro pode ser eu (há alguém em mim, gritando que "eu sou eu", mas tenho lá as minhas dúvidas) e encarando a mim, minhas faltas, falhas e erros, posso encarar o outro. Todos os dias somos rotulados e rotulamos. A vida acontece a partir dos primeiros passos que dou. Enquanto pequeno, outros são responsáveis pelos meus passos, mas depois que aprendo a andar, essa responsabilidade é minha.

As vezes você vai pisar em falso.
As vezes você cometerá erros.
As vezes você sorrirá.
As vezes você chorará.

Não embarque em um projeto que exclui a realidade.
Toda alienação é idiota.

Vai em paz!

Ainda é possível, sorrir de novo.

Jesus volta para casa de seus amigos, Lázaro e suas irmãs.

O Dia amanhã será longo, Judas está de volta e seu aspecto, gera desconfiança.

É o dia.




terça-feira, 16 de abril de 2019

3ª Dia - Ele Observa o Movimento no Templo.





Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento (Lc 21.1-4)

O dia amanhece.
Depois de um descanso na casa de seu amigo Lázaro, Jesus e seus discípulos, se preparam para voltar à Jerusalém. É o 3ª Dia, e Jerusalém fica a menos de quatro quilômetros de Betânia. A Páscoa se aproxima, o dia será cheio em Jerusalém e Jesus irá ministrar seus últimos sermões.

A Caminhada, de volta a Jerusalém, começa.

No caminho, eles conversam sobre a figueira, que no dia anterior, fora amaldiçoada por Jesus, porque fingia ter frutos.

Fingir que tem alimento? Fingir que está alimentando?
Isto é um alerta aos pregadores, ministros do altar.

Jesus chega a Cidade e logo começa a ensinar e de pronto, grupos passam a vigiá-lo e até, provocá-lo para ver se ele caia em alguma contradição.

Quando não conseguem argumentar, contra a verdade que você prega, eles tentarão corrompê-la.

Jesus se sai bem de todas as investidas dos fariseus, dos líderes religiosos e dos grupos, contratados, para pegarem-no em alguma falta.

Mas depois de tanto pregar e debater, Jesus, um alivio haverá de ter.

O Mestre da Galileia, observa atentamente o movimento no Templo.
Ele observa o movimento...
Ele observa...
Ele...

Entende?

Seu olhar encontra uma viúva pobre.
Que cena revigorante para os seus olhos tão cansados de ver muita pompa e pouco culto.

A viúva se aproxima do lugar onde se colocam as ofertas.
Os olhos de Jesus a acompanham.

...e ela deposita duas moedas, mas não eram apenas duas moedas, na verdade eram as únicas que ela possui.

O coração do Cristo bate forte!
Ele não se contem e fala:

"Todos ofertam aqui, do que sobra.
Ela ofertou o que tinha.
Acreditem! Ela ofertou mais do que todos aqui".

Escute: Quem oferta do que sobra, é a sobra que ofertou.
Quem oferta o que tem, como se não tivesse, oferta do que é.

A Viúva oferta de si, porque ela é a oferta!
Os outros oferecem das sobras, porque os outros são sobras!

Cada um, oferta o que é.

Jesus sai do Templo, vai ao Monte das oliveiras e contempla novamente a Cidade.

É hora de descansar em Betânia.



segunda-feira, 15 de abril de 2019

Entre Betânia e Jerusalém: 2º Dia.



"No dia seguinte, saindo de Betânia (...) chegaram a Jerusalém..." (Mc 11.12 e 15)

Entre Betânia e Jerusalém.
Entre amigos e a Cidade.
Entre abraços e safanões.
Entre descanso e aflições.

Ele transita entre Betânia e Jerusalém.

É o segundo dia e que dia.
Uma Figueira tenta lhe enganar.
Uma negociata, no Templo, ele vai encontrar.
Jesus, em vez de calar, vai falar:

...há odor de sangue e moeda.
No Templo se misturam, vida e sujeira.

...e Jesus, voltando de Betânia para Jerusalém, agora trás consigo, um chicote.
Os cambistas exploram.
Os pobres choram.
Há uma gritaria no Templo.
Ninguém respeita aquele momento.

Jesus não é de se irritar, mas não dá para desviar o olhar.
Tem homens aproveitadores.
Tem gente pelos corredores.

...e de leve, ele desenrola o chicote.

"Minha casa será chamada, casa de oração, mas vocês a transformaram em covil de ladrões.

Minha casa! Vociferava, Jesus.

A casa não é nossa para fazermos o que quisermos, entende?.

Escute: Há uma casa de oração, mas será que há uma oração na casa?
O que há, na casa de oração, quando lá oração não há?
Qual é essa tal, nova visão?
Que novidade é essa, que de novo, nada, tem não?
Porque não trocam a gritaria por uma canção?
Porque não trocam o requebrado, por um culto com contemplação?

...anoiteceu em Jerusalém.
Faz frio...
O mestre num canto está...
Há uma fogueira esquentando a chama acessa, a Luz do Mundo.

Num segundo, em meio a escuridão, caminhando para a fogueira, vai um Homem de posição. Ele quer saber de Jesus, sobre coisas que carrega no próprio coração.

Jesus, muito amoroso, lhe diz:

É preciso Nascer de Novo.

Era o segundo dia.