quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal de Verdade

 



Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho (δός), e a verdade (λήθεια), e a vida (ζωή); ninguém vem ao Pai senão por mim.

 

João 14.6

O nascimento de algo compreensível é o nascimento do desnudamento do mistério – no ato do espanto, há a nudez do desconhecido. O nascimento de algo compreensível é inicialmente falando, inocente. O olhar inquietante, sonda a verdade.

O Natal é isso: esse olhar inquietante e inquietado que busca algo compreensivelmente novo e verdadeiro. A palavra verdade vem do grego λήθεια [alethéia] esse olhar verdadeiro e que busca a verdade removendo Lethe que é o rio do esquecimento, o rio das trevas. Lethe, na mitologia grega, era irmã de Tânatos, a morte. Quem bebia das águas de Lethe perdia a memória e caia na escuridão impossibilitando a descoberta da verdade. A a-léthe elimina o esquecimento, abre espaço para a Luz e retira a venda dos olhos.

Há algo mais impactante do que o olhar que bebeu das águas de Lethe e o olhar da Alethéia? Alethé é o olhar voraz que corta as águas turvas do esquecimento e promove o espanto e encanto do resgate da autenticidade.

Jesus disse: Eu Sou (...) a verdade.

Ele é a Alethéia ...

É Jesus quem corta as águas turvas do esquecimento. É ele quem resgata a memória, quem livra da escuridão. Quem desnuda a medula soterrada. É ele quem recupera a realidade e resgata a veracidade.

Natal é isso! É o nosso encontro com Cristo Jesus, a verdade verdadeira! A verdade de fato, a alethéia que ilumina o nosso olhar e nos conduz a olhar em seus olhos. Jesus tem esse olhar de recriar o ser humano. Quem olhar em seus olhos, muda – sai das águas do esquecimento (Lethe) e sai das sombras do Hades.

O nascimento de Jesus é isso: um presente de Deus para quem está bebendo das águas de Lethe e deseja beber da água da vida. E quem beber da água da vida que Cristo oferece, nunca mais beberá das águas do esquecimento pois a água da vida que Jesus oferece, jorra para a vida eterna!

E você, neste Natal? Vai beber do rio cujas águas causam esquecimento ou vai beber da água da vida? Hoje, você será cercado (a) por Lethe ou por Alethéia?

Jesus nasceu para te dar Vida e Vida em abundância. Não perca essa oportunidade que ele está lhe dando.

Um Natal Feliz em Alethéia.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

IDADISMO



 O tecido social pode ser sadio ou doentio. O tecido sadio é alimentado pela dignidade humana, pela pratica da justiça, pela educação da empatia e a consciência da alteridade. Isso gera uma convivência pacifica e efetividade sociológica saudável. O tecido doentio é sociopatológico. O tecido doentio é enfermo e faz enfermar. Há várias formas desse tecido doentio manifestar-se e uma delas é através do idadismo. O idadismo é uma forma de preconceito e discriminação que tem como base a idade das pessoas. A partir deste conceito, descobrimos que pessoas com uma "certa" idade são tachadas, rotuladas e desprezadas enquanto sua capacidade de ser ativa e produtiva. A Prática do idadismo é uma forma de lança o outro no ostracismo, no mundo dos insignificantes, na esteira dos inúteis. A prática do idadismo reforça e potencializa o tecido sociopatológico, alimenta a violência e injeta na veia da sociedade a droga do ódio. 

No campo da educação isso é ainda mais grave posto que o problema se instala no berço do desenvolvimento do ser humano. Sabemos que a educação no Brasil é um desafio constante e que os docentes se desdobram para realizarem um trabalho de excelência nesse processo de desenvolvimento epistemológico tão importante para a sociedade. Todos os dias os docentes estão em sala de aula buscando métodos para levarem seus alunos a debaterem os temas sensíveis da sociedade e o idadismo é um desses temas. O desafio está no despertar da consciência de cada estudante levando a compreensão de que todos nós que vivemos em sociedade devemos olhar para o outro e entender que o outro é parte do ambiente onde vivemos e possui o direito a dignidade de viver, trabalhar e buscar as realizações de ser.

Fazer diferença ou agir de forma diferente com o outro por causa de sua idade é dizê-lo que não há espaço na sociedade para ele. É lançá-lo na escuridão tanatológica e na prisão fria da apatia crônica. 

Minha proposta para tal aberração sociológica e o remédio para tentar salvar esse tecido doentio é a INSURREIÇÃO! 

A sociedade cujo tecido é sadio a de insurgir-se de forma sistemática e continua contra esse sistema criado pela sociedade sociopatolócizada. O idadismo é um ato insensível e o ser humano insensível é um ser estupidificado, entorpecido, brutal e impermeável. Uma sociedade assim é uma estrada toxica, cheia de venenos preconceituosos.

Portanto afirmo que insurgir-se é o caminho para combater a prática do idadismo. Como faríamos isso? É simples: denunciar e tornar conhecido os grupos que praticam o idadismo! É dar nomes comprováveis. Não é sair acusando pessoas, mas é denunciar quem comprovadamente cometi tal atrocidade. Assim será possível criarmos uma sociedade sadia e execrarmos esse vírus que promove a ruptura de laços amorosos. 


sábado, 6 de setembro de 2025

50 e poucos anos.

 



Eu tenho dificuldades de me "caber".

O tempo passou, passa e vai passando, mesmo agora enquanto digito estas palavras.

Preciso de tradução.

Preciso me traduzir.

Preciso que me traduzam.

Em cima do penhasco, me alargo - me vejo queda, me vejo asa.

No rio calmo, me sinto correnteza e me percebo ficando, ao mesmo tempo que vou indo.

Hoje sou casa, mas já fui solo...

Me consolo com o fato de não ser acabado - sou casa no tijolo prestes a ser rebocado.

Tenho sementes em forma de silêncio - guardo-os: tenho medo delas serem comidas pela ignorância de quem não conhece o seu próprio próximo passo.

Por isso me esgotei de tanto falar e deixei que as palavras escorressem como a chuva escorre pela folha verde da árvore.

Me vi envolto ao vento e ele brincava comigo - vezes eu o perseguia e outras vezes me perseguia ele, assim, ambos exaustos dormimos um nos braços do outro.

A ausência me devolve-me a mim, antes esquecido no colo de qualquer alguém - busquei os gestos de amor que perdi no outro que não soube amar.

Eu tomo café comigo mesmo e descobri que o espaço vazio também fala...

O espaço não preenchido, não confere solidão e de tantas vezes ferida, a alma sempre conhece o caminho...

Eu não tenho pressa.

...e no caminho, descubro que fui escrito: então sou folha e tinta vestido de pele e osso e um dia me transformarei em história e ai, viverei.