quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CUIDADO COM AS RAPOSAS!

Aconteceu, entretanto, que uma raposa trocista, ao passear pela mata, viu um pássaro negro assentado sobre um galho e resolveu provocar a sua vaidade. “Bom dia senhor Urubu. Que lindas são as suas penas, tão negras! Confesso não haver visto outro pássaro que pudesse se comparar ao senhor em beleza. Se a beleza do seu canto se compara à beleza de suas penas o senhor é a Fênix dessas florestas, a revelação plena da beleza divina. Imagino que Deus diz aos seus ouvidos coisas que ele não diz aos ouvidos dos outros pássaros! Se Deus desejar falar aos mortais em linguagem de pássaro, estou certo de que o senhor será o seu porta-voz!” O Urubu ficou encantado ao ouvir as palavras da raposa. E acreditou. Os vaidosos sempre acreditam nas palavras dos aduladores. “É isso mesmo”, o Urubu falou consigo mesmo. “Cada pássaro tem um pedacinho de Deus. Só um pedacinho. Mas eu, Urubu, tenho a plenitude da beleza divina. Assim sendo, por que perder o meu tempo ouvindo o canto do sabiá, o canto do pintassilgo, o canto do canário?... O canto deles é uma nota solta. O meu canto é a sinfonia inteira! E é até perigoso que eles fiquem por aí, cantando livres pelas matas e jardins. Porque pode ser que um ouvinte tolo fique gostando do seu canto e assim, por amor à beleza pequena de uma nota, perca a beleza plena da sinfonia. É preciso que se saiba que o canto de todos os pássaros conduz ao meu canto! Para a glória de Deus. E foi assim que os Urubus começaram uma operação de guerra contra os outros pássaros, sob a alegação de que o seu canto desviava os demais bichos do pleno conhecimento da beleza divina. Espalhou-se pela floresta a palavra de ordem: “Todos os pássaros devem cessar o seu canto”. Todos os pássaros devem cantar como os urubus. Fora do canto dos Urubus não há salvação!” A passarinhada morreu de rir. Sabiás, pintassilgos e canários comentavam: “ Os Urubus devem ter enlouquecido...” E nem ligaram. Continuaram a cantar como Deus havia ordenado que cantassem. Os Urubus, enfurecidos com a arrogância e presunção dos pássaros que não reconheciam a sua superioridade, reuniram-se em concílio e tomaram uma decisão: “Se não cantam como nós, porta-vozes Deus, cantam contra nós, cantam contra Deus. E quem canta contra Deus não tem o direito de cantar”. Mas que passarinho pode parar de cantar o seu canto? O pedacinho de Deus que mora em cada um não descansa. Quer cantar! E eles continuaram a cantar. Os Urubus se puseram a campo em defesa da beleza divina e de sua própria beleza. Começaram a perseguir os pássaros que se atreviam a cantar o canto que Deus lhes ensinara. Era a única forma de fazê-los calar. Alguns pássaros se calaram por medo de serem expulsos da floresta a bicadas. Foram então colocados num regime chamado de “silêncio obsequioso” pelos urubus. Ninguém entendeu o que “silencio obsequioso’ queria dizer”. Mas ninguém discutiu. Com Urubu não se discute. Silêncio, os pássaros sabiam o que era. Mas “obsequioso” eles não entendiam. Segundo o dicionário “obséquio” quer dizer “benefício”, “benevolência”. Que benefício ou benevolência existe em obrigar um pássaro a cessar o canto que Deus lhe deu? Ou será que o tal “obsequioso” vem de “obséquias”, que quer dizer “funeral”? É possível. O fato é que muitos dos que insistiram em cantar o seu próprio canto foram entregues à raposa que, como se sabe, adora a carne tenra das aves... O resultado foi que os pássaros de muitas cores e de muitos cantos fugiram daquela floresta sinistra. Foram em busca de outras florestas onde não houvesse Urubus e onde pudessem cantar todos os seus cantos, ao mesmo tempo, e diferentes, para que assim se ouvisse a Grande Sinfonia. Quanto aos Urubus, ficaram sozinhos na sua floresta. Os bichos que moravam lá se mudaram, porque não agüentavam mais ouvir todo dia o mesmo canto monótono, sempre igual. Sem variações, sem contraponto, sem improvisações.

PRINCÍPIOS PRÁTICOS PARA OS PREGADORES

1) Não Se Deixe Manipular Por Qualquer Pessoa Que Seja.
O urubu deixou-se influenciar pela raposa que sagazmente induziu o Urubu a deixar os pássaros a mercê dela. Procure ter discernimento de certas in-fluências para vê se elas não vão criar em você um sentimento de superioridade. Cuidado para que os aplausos não acabem roubando a sua alma. Não se deixe manipular por qualquer coisa que seja e acima de tudo que seu compromisso seja com a Palavra de Deus e não com certas “raposas” cujas influências levam a ruína.

2) Resista a Tentação de Se Sentir o “Único Instrumento de Deus” Que funciona melhor do Que Todos os Outros.
Logo depois que recebeu os elogios da raposa, o urubu se sentiu a ave mais bela do mundo e que seu canto era melhor do que o canto dos outros pássaros. Lembre-se, sua mensagem não é melhor do que a mensagem de qualquer outro pregador. Se sua mensagem provocou algo maravilhoso na vida das pessoas... Glória à Deus. Mas isso não quer dizer que você é a única pessoa que pode realmente ser usada por Deus. Desvie-se da tentação de se sentir a única pessoa que ministra bem. Seja na mensagem bíblica ou que seja no louvor ou ainda em qualquer atividade que seja. Procure sempre oferecer o melhor! Procure se atualizar sempre! Procure colocar-se diante de Deus pedindo à Ele revelação. Faça isso e serás bem sucedido.

4) Que Todos Achem você Excelente, Mas Você Sinta-se na Média e Procure Melhorar a Cada Dia Mais.

O bom é inimigo do ótimo e o ótimo não combina com o excelente e assim por diante... faça sempre o melhor. As pessoas que lhe ouvem merecem o melhor que você pode oferecer. Dedique-se a leitura Bíblica e também de assuntos atuais que podem ser de interesse das pessoas que lhe ouvem. Procure melhorar e abordar bem o tema que você se propõe a pregar aperfeiçoando assim o assunto. Receba os elogios sempre com muita humildade sabendo que o que você possui foi dado por Deus e que sempre deve ser adorado em sua vida.



Jeorgino da Silva

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ELE SABE O QUE É DOR

“... Homem de dores e que sabe o que é padecer”. Isaias 53.3

Quando olhamos o mundo através dos olhos das câmeras de telejornais é possível vê e ouvir os gritos de dor que a humanidade esta sentindo. Guerras, terremotos, fome, frustrações, decepções e mortes tem sido o motivo de tanta dor espalhada pelo mundo. A história humana é marcada por toda sorte de dor que se possa imaginar. E tudo começou ali, no Éden, no útero do mundo, sim, justamente no lugar onde deveria ser o local do prazer, da harmonia e da paz, se transformou no lugar de dor, separação e tristeza. Desde que o homem caiu no éden, tudo que entra e passeia no solo da existência humana, tem a marca da dor. E por mais que tentemos viver sem ela, vez por outra ela chega e bate a nossa porta. Não existe um grupo se quer espalhado pela terra que não tenha sentido ou vivenciado ou até mesmo visto, uma cena que transpirasse dor. A existência desse sentimento é fato inegável, mas também é fato, que muitos agem de forma indiferente a dor do outro. Sim! É isso mesmo. Existem pessoas que agem de uma forma indiferente, não diferente, mas indiferente, ou seja, desprezam, isolam e fazem de conta que as pessoas que estão ao seu redor, sentem algum tipo de dor. Provavelmente, alias, quem sabe eu não estou falando com alguém nesse exato momento que esta sentindo algum tipo de dor? Quem sabe a dor que você esta sentindo nesse momento, não é uma dor moral? Sim! Aquela dor que fala, grita e esperneia dentro do interior todas as vezes que se diz que nunca mais fará, ou pegará, ou tirará, ou cometerá algo de natureza ruim, mas muitas vezes, acaba fazendo novamente. Esse tipo de dor incomoda, mexe, tira o sono e traz uma inquietação desesperadora. Existem várias pessoas espalhadas pelo mundo que sofrem sentindo essa dor! E o pior, ou melhor, para piorar as coisas, tais pessoas são discriminadas por algum erro cometido, sendo lançadas ao desprezo e isso tudo, longe de qualquer companhia, mas eu desejo dizer-te algo hoje: Existe alguém que sabe o que é dor. Talvez eu esteja falando com alguém que não esteja passando por uma dor moral, mas quem sabe, não esta passando uma dor emocional? Sim! Pessoas que carregam traumas vivenciados no meio da família e que por mais que lutem, não conseguem apagar certos acontecimentos que estão terrivelmente instalados na sua memória. Tais pessoas são atingidas pela depressão e pela angústia que insistem em caminhar pelo solo da alma cansada, abatida e sacudida. Tais pessoas, também (diga-se de passagem) são questionadas vez por outra, sobre o fato de muitas vezes se encontrarem tristes e quando não conseguem reagir de uma forma imediata, são taxadas de fracas, frouxas, derrotadas etc. Meus queridos, vocês tem um bom senso pra saber que palavras como essas, abalam qualquer sistema emocional, não é verdade? Provavelmente quem despreza a dor emocional de alguém é por que ainda não sabe o quanto dói tal dor. A dor emocional cola nas pessoas, se aloja e gruda no mais profundo do nosso psiquismo gerando assim o sentimento de baixa-estima. Quem sofre dor emocional foi vitima de palavras grosseiras e de um poder negativo destruidor. Quem sofre dor emocional foi vitima de perda, frustrações, decepções e etc. As pessoas que desprezam outras por esse tipo de dor deveriam rè-vê seus conceitos.Mas permita-me lhes dizer algo: Existe alguém que sabe o que é dor. Saiba meu amigo, que existe alguém que se importa com a sua dor seja ela de qualquer natureza. O profeta Isaías captou bem esse detalhe na visão que teve a respeito do sofrimento do Messias, ele viu um “Homem de dores”. Sim! O Messias era e foi um Homem de dores e que sabe o que é padecer. Se existem pessoas que te cercam e não estão nem aí pra sua dor, saiba, Jesus, o Messias, sabe o que é dor e entende a tua dor. Entendeu? Jesus conhece, sabe e entende a tua dor. Ele esta com você nesse momento de dor e vai te mandar um refrigério, sabe por que? Porque Jesus sabe o que é dor. Você crê nisto? Amém! Jesus conhece a tua dor emocional e te acolhe em seus braços! Ele sabe o que é dor! Se alguém despreza a tua dor não se desespere, pois Jesus sabe o que é dor. Pare por um momento e permita que ele te coloque numa posição de refrigério. Jesus sabe o que é dor e nunca esqueça isso.



Jeorgino da Silva

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

RECONSTRUINDO SUA HISTÓRIA

“Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim. Quero trazer a memória o que me pode dar esperança”. Lamentações de Jeremias 3.20, 21.

A história avança e a nossa existência avança juntamente com ela, e não existe nada, mas nada mesmo, que possamos fazer, senão avançar para dentro dela. Existimos e devemos viver, mas viver totalmente conscientes de que esse existir vai nos proporcionar várias experiências que nos farão sorrir e chorar, cantar e silenciar, correr e parar. A experiência do sorriso nos marca, levanta-nos e impulsiona a seguir em frente. Com essa experiência é fácil lidar. Mas existem as experiências catastróficas, irritantes, traumáticas e muitas vezes desesperadoras. O desespero é a não conformação com o fato de que aquilo que se esperava não acontecerá e isso nos leva a enfrentar crises que, no final de tudo, nos proporcionará um encontro conosco mesmo. É justamente nas crises e nos momentos difíceis que passamos nesta terra, que fazemos viagens profundas ao nosso ser e quase sempre em buscas das respostas das interpelações que fazemos todos os dias. E quando saímos em busca dessas respostas pensamos, e o fato de que pensarmos nos introduz na descoberta fantástica que pode até parecer bobagem, mas as vezes não nos damos conta: Existimos. O filosofo francês René Descartes disse isso: “Penso, logo existo”. Mas quando chegamos a esse pensamento, descobrimos que existe outra coisa que nos leva a essa realidade. O Filosofo e pensador dinamarquês Kierkegaard disse outra coisa que se confunde com isso que Descartes disse: “Sinto, logo existo”. Não é só existir, é sentir também. Sentimos certas coisas por que existimos e existimos por que sentimos certas coisas e muitas vezes são essas coisas que sentimos que causa um tremendo frisson em nossa alma. Por isso sofremos!!! Por isso choramos!!!! Por isso gritamos!!! Por isso nos desesperamos!!! Por que pastor? Por que somos humanos!! O humano esta sujeito às dores dessa vida. Quem captou de uma forma sensível a presença da dor no mundo, foi Francisco Otaviano que, em uma de suas poesias, se expressou dessa forma: “Quem passou pela vida em brancas nuvens e num plácido repouso adormeceu; quem passou pela vida e não sofreu, não foi homem, foi espectro de homem porque só passou pela vida e não viveu”. Por mais que tentemos viver sem dor e por mais que tentemos exorcizá-las, elas chegam, entram e penetram, e de uma forma absurda nos agridem principalmente em nossa vida psicológica e emocional. Parece que a história também é feita de dores, ou melhor, é construída em dores, em meio a lágrimas e soluços. Diante disso estamos nós que, juntamente com a história, sentimos dores e sofremos violências que marcam a nossa história para sempre. Mas a pior dor ou a que mais nos agita é aquela que fica registrada, arquivada e catalogada na memória. Essa dor é gerada por palavras que foram lançadas de maneira destrutiva, agressiva, cuja finalidade era diminuir e despotencializar o nosso valor. Palavras que geram sentimentos de inferioridade e causam ausência de dignidade promovem a dor que fica parada e muitas vezes engessada na memória. Tudo isso acontece com pessoas que estão bem próximas a nós e com certeza, isso acontece com a gente também. Todos nós carregamos em nossa memória algo amargo e isso não acontece porque nós queremos que aconteça. Isso acontece por que os fatos acontecidos ficam registrados em nossa memória e por mais que queiramos apagar, não é possível. O que fazer então? O que fazer com as lembranças amargas que estão registradas em minha memória? Como me livrar disso? A quem recorrerei? Quem pode me ajudar? Como me livrar dessa lembrança? E aquilo que fizeram comigo na minha adolescência, na juventude, como me livrar disso? O texto acima narra um episódio na vida de um servo de Deus que conhecemos bem através da leitura da Bíblia Sagrada. Jeremias carregava em sua memória cenas terríveis e que lhe machucavam dia e noite. Esse texto esta inserido no livro das lamentações de Jeremias. O livro de lamentações expressa o profundo pesar de Jeremias sobre aquele evento calamitoso na história do povo de Deus. Essa obra é comumente atribuída a ele e foi escrita logo depois da queda de Jerusalém, em 586 a.C. Jeremias entra em total desespero ao vê a cidade queimada e praticamente destruída pelos exércitos de Nabuconosor. Ao contemplar a cidade naquele estado, a angustia, a dor e a tristeza tomam conta do seu ser e isso é manifesto através desse livro. O olhar de Jeremias esta sobre a cidade e é um olhar para o sofrimento tanto das pessoas quanto seu próprio. É o olhar de tentar compreender tudo aquilo que estava acontecendo. Tentamos compreender o sofrimento na medida que ele vai acontecendo, mas as vezes ele é tão estarrecedor que fica difícil. C.S Lewis certa vez disse: “... o sofrimento é um mal as claras, indiscutível”. A dor de Jeremias era uma grande dor e o texto é escrito em um tom fúnebre e recheado de lágrimas: “Com lágrimas se consumiram os meus olhos, turbada esta a minha alma, e o meu coração se derramou de angústia por causa da calamidade da filha do meu povo...” (Lm 2.11). Eu fico imaginando as cenas que ficaram gravadas na memória de Jeremias. Aquelas cenas que vez por outra surgiam como flashes e lhe causava uma profunda tristeza. Tenho quase certeza que as noites de Jeremias eram longas e enfadonhas e com pesadelos terríveis. Assim como na vida de Jeremias, na nossa também somos pegos vez por outra lembrando de certos acontecimentos que ficam registrados a fogo em nossa mente. Jeremias travou uma grande luta contra as lembranças amargas que estavam em sua memória. Quem sabe eu não estou falando com pessoas que neste momento estão lendo esse artigo e que assim como Jeremias travam uma luta enorme contra lembranças que insistem em permanecer na memória? E talvez, como Jeremias, você esta se perguntando: o que fazer? Como responderemos isso? Observando justamente como Jeremias se comportou. Aqui precisamos parar e pensar não como nós agiríamos, mas como Jeremias reagiu. Nesse momento eu não posso pensar no “meu, eu” mas no “tu, dele”. Será que deu pra entender? Jeremias pro-jeta o seu olhar para longe, mas bem para longe mesmo. Ele desvia o seu olhar do horizontal e começa a olhar para cima, para algo bem maior do que tudo aquilo que esta ao seu redor. Jeremias começa a pensar na possibilidade de reconstruir uma nova história em vida e para que isso se torne uma realidade, ele para de pensar um pouquinho em tudo aquilo que esta acontecendo e diz: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma...”. Jeremias começa a dizer para sua alma: “ Existe esperança da minha história ser reconstruída juntamente com a dos meus irmãos... O Senhor, apenas o Senhor pode reconstruir nossa história”. Apenas Deus meus irmãos, pode oferecer a solução para as experiências amargas da nossa vida. Deus é o Senhor da nossa história e todas as vezes que ela é abalada, ou melhor, todas as vezes que circunstâncias tentam abalar nossa história, Só Ele, sim! Só o Senhor pode reconstruí-la. Glória ao seu Nome por isso!!!! Lembre-se: Deus pode reconstruir sua história. Creia!!!



Jeorgino da Silva

terça-feira, 7 de outubro de 2008

UM POUCO DE ÉTICA NA HOMILÉTICA POR FAVOR!

Meus amigos (a) a coisa a cada dia que se passa acaba ficando mais complicada no que diz respeito a sermões e discursos. Em meu coração penso da seguinte forma: Visto que eu como pregador tenho a obrigação de extrair do texto uma mensagem e de acordo com o texto fazer a transposição do mundo bíblico para o mundo atual, tenho que expor aqui que isso não pode ser feito sem o mínimo de ética. Diante disso falaremos sobre três pontos:

*Homilética tendo como ponto de partida o povo.

Quando se fala de “homilética tendo como ponto de partida o povo” o que existe em nossa mente é por onde o pregador vai começar seu sermão. Qual vai ser sua intenção primordial? O que ele leva em seu coração quando assume a tribuna? Ele vai atender um povo ansioso pra ouvir o que querem ouvir ou ele assumirá a tribuna com o seu próprio coração? Ele entrará na onda do espetáculo do povo ou manterá a sua postura e entregará um sermão pré-agendado ou algo movido e inspirado dentro do seu coração? Vivendo numa sociedade onde o valor econômico às vezes fala mais alto do que os princípios cristãos são extremamente visível que muitas vezes o povo deseja vê o espetáculo do culto na hora da pregação do que a contemplação da beleza divina no discurso bíblico. Sabendo disso, qual será então o ponto de partida do pregador: o espetáculo do povo ou a contemplação da beleza Divina no discurso bíblico?

* Homilética tendo como ponto de partida Edificação da igreja.

O ponto de partida sendo a edificação da igreja oferece uma mensagem mais Divina e conseqüentemente inspirada e menos humana e conseqüentemente menos manipulada. A expressão “mais divina” não quer dizer sem ser humano, apenas com uma visão mais divina da mensagem. O pregador que assume a tribuna com a intenção de Glorifica a Deus e edificar a igreja terá bom êxito em seu sermão. Alimentará um povo e não uma sociedade do espetáculo.

* Homilética tendo como ponto de partida, não o cômodo sermão agradável, mas o incômodo do sermão que desperta.

A homilética não trabalha necessariamente o “agradável”, mas sim com aquilo que incômoda. O sermão tem que ser fruto de movimentação de Deus na vida espiritual do ministrante. Ora, eu não posso me debruçar sobre um texto e me sentir cômodo com ele. Muito pelo contrário! Tal texto tem que mexer com minhas entranhas para que eu possa passá-lo a comunidade. Em minha opinião (só minha, mas se alguém quiser pegar carona, vamos lá) o melhor sermão que um pregador pode pregar é justamente aquele que consegue juntar a arte da poesia com uma exegese bem feita e a unção do Espírito Santo. Também um sermão bem feito colocará junto, tanto a contemplação da beleza de Deus quanto à carência humana dessa beleza. É preciso repetir dizendo que a homilética não está presa a nenhum interesse religioso. Ela é livre!! O sermão também é fruto da meditação, leitura, oração e reflexão. Nenhum pregador que não para pra pensar no que vai falar será bem sucedido naquele que fizer. Repito: o incômodo é melhor do que o cômodo na hora de pregar.



Jeorgino da Silva

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A EXPECTATIVA SOBRE O MINISTÉRIO PASTORAL

O que se espera do ministério pastoral? Qual a expectativa das pessoas quanto ao ministério pastoral? Qual é a expectativa dos próprios pastores quanto ao ministério pastoral que está sobre eles? Isso é um assunto muito sério visto que o foco do ministério pastoral antigamente ser “um” e o atual ser “outro”. Quando lemos os evangelhos e fazemos tal pergunta a Jesus, a sua resposta está clara no evangelho de João 21.16 “Pastoreia as minhas ovelhas”. Tudo indica que a expectativa de Jesus com relação à afirmação de Pedro que o amava, era tão somente que o amor confessado de Pedro fosse transformado em atitudes. Jesus espera que os pastores apascentem suas ovelhas e não as tosquiem. Ora, entre apascentar e tosquiar existem diferenças. Alguns pastores, no entanto esqueceram de apascentar e vivem apenas de tosquiar suas ovelhas, mas fazer o quê? elas aceitam. Quando vamos ler as epistolas do apóstolo Paulo, também notamos a expectativa que ele mesmo tinha do ministério que estava sobre ele: “Orai do mesmo modo por mim para que, quando eu falar, seja-me concedido o poder da mensagem, a fim de que, destemidamente, possa revelar o mistério do evangelho” (Ef. 6.19). A expectativa do apóstolo era que a o trabalho de oração da igreja por sua vida, o colocasse numa situação em que ele pudesse revelar o mistério do evangelho à todos que ouvissem a mensagem. Paulo não queria se revelar ou se autopromover. Apenas queria ser instrumento de Deus para a revelação do mistério do evangelho. Basta apenas fazermos uma comparação da expectativa de Paulo, o apóstolo, e as expectativas do ministério pastoral atual para vermos a ponte intransponível entre um e outro. O Apóstolo Paulo, por exemplo, queria ser “digno” do evangelho (Fp. 1:27), mas tudo indica que existe uma turma por aí que deseja que o evangelho seja “digno deles”. O apóstolo Paulo queria combater o bom combate, mas existe uma turma por aí que deseja “destruir os adversários ministeriais”. O apóstolo Paulo desejava que a igreja fosse visitada por Deus para poder crescer tanto na graça como no conhecimento de Cristo Jesus, mas existe uma turma por aí que quer que a igreja cresça de qualquer jeito. Não estou aqui sendo contra igrejas que são grandes ou igrejas que são pequenas, na verdade, estou apenas dizendo que o foco não é o crescimento numérico da igreja apenas que devemos desejar. Muito pelo contrário, devemos desejar e trabalhar para o crescimento da igreja seja através do discipulado. Que expectativa à igreja atual alimenta com relação ao ministério pastoral hoje? O que essa geração sonha? É preciso instigar essa geração! Faze-los falar! A geração atual tem que possuir idéias formadas a respeito dos seus sonhos para o ministério pastoral atual. Quando falo “dessa geração me refiro às igrejas” que estão debaixo do pastoreio de alguém. Essa é uma questão: Qual é a expectativa da igreja. Mais existe outra questão e jugo de bem mais responsabilidade que exigem respostas profundas e não respostas evasivas. A questão é: “Que expectativas nós temos de nós mesmos dentro do ministério pastoral? O apóstolo Paulo tinha expectativas de seu próprio ministério. Ele diz na II Epístola aos Coríntios 4.7: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. Paulo tinha a expectativa de que o que existia dentro dele deveria ser usado para que Deus fosse glorificado. Ele tinha plena consciência de que o que ele possuía não era dele mesmo, mas de Deus e assim sendo, a Glória também deveria ir para ele. Paulo buscava um ministério que revelasse a glória de Deus aos homens e na verdade o que ele estava tentando fazer era a mesma coisa que Cristo fez. Ora na proporção em que ele (Paulo) escreve as cartas, também tornar-se testemunha visível e vivêncial daquilo que está escrito em romanos 8.29: “... Os predestinou para serem conforme a imagem de seu filho”. Paulo escreveu isso por que vivia isso. Dentre outras coisas o que Paulo realmente queria (expectativa) era que sua vida fosse vivida plenamente de acordo com a imagem de Jesus, pois isso agradava a Deus. Volto a perguntar: “Quais são nossas expectativas?”Na verdade é: “Que intenções caminham pela estrada do nosso coração quando pensamos em ministério pastoral?”. O que mais me impressiona é saber que pouquíssimos pastores fazem esse tipo de indagação à eles mesmos. E o que me deixa estarrecido é que a igreja assiste a tudo isso passivamente. Agora, o que será que torna a igreja tão passiva assim? Por que nos calamos? Por que alguém não grita? Por que será que as ovelhas aceitam essas coisas são questionar? Será que existem respostas? O que as pessoas esperam que sejamos? O que esperamos que sejamos? Não é o que os outros desejam que sejamos, mas o que realmente somos dentro do ministério pastoral. O que somos? Pastores? Vendedores? Animadores de auditório? Afinal de contas: o que realmente eu penso de mim mesmo dentro do ministério pastoral? Tudo indica que a congregação tem um poder enorme de influência sobre os pastores, mas deveria ser o contrário. Discernir quem somos na congregação: essa é a palavra de ordem. Ora, se nós não fizermos isso outras pessoas farão em nosso lugar.


Jeorgino da Silva

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O MEU TEMOR COM RELAÇÃO A IGREJA

Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim também sejam de alguma forma corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co. 11.3).

O apóstolo Paulo tinha algumas preocupações com a igreja na cidade de Corinto e dentre elas havia uma que provavelmente tirava o seu sono: a deturpação da Escritura Sagrada e a omissão do povo em aceitar tal deturpação. No texto citado acima (fazendo uma analogia) Paulo escrevendo a igreja diz que seu temor era que como a serpente havia enganado Eva, certas pessoas com seus discursos eloqüentes enganassem a igreja desviando-a de seu propósito principal: Cristo. Desejo confessar algo à vocês e que muito me entristece e in-comoda: também tenho o mesmo temor nos dias atuais. Tenho um profundo temor e chego a me angustiar perdendo o próprio sono por certas coisas que escuto nos programas televangelisticos. Chego a quase chorar quando escuto uma pessoa pegar um texto da Bíblia e adulterá-lo apenas para vê suas idéias ganharem forças junto a platéia que lhe escuta. Na verdade eu fico imaginando como alguém tem a coragem de ir a um programa ou ainda em assumir o púlpito da igreja para falar sobre seus próprios propósitos e interesses pessoais usando textos da Bíblia que não oferecem a menor base para os argumentos utilizados. Confesso a vocês meus caros amigos que isso realmente me deixa in-conformado. Mas o que ainda me angustia mais é o fato da igreja ouvir, aplaudir e ainda glorificar a Deus por tudo isso!É isso mesmo!!! A igreja muitas vezes ouve, aplaude e ainda glorifica a Deus!!!! Portanto desejo revelar-lhes alguns temores que tenho:

1) Temo que a igreja enxergue tanto esses “vendedores de ilusões” e acabem cegando ao ponto de não enxergar a cruz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
2) Temo que a igreja enxergue a eloqüência dos “vendedores de ilusões” e acabe cegando quanto aos verdadeiros motivos que fazem tais pessoas serem tão eloqüentes: o orgulho, a inveja, a vaidade e o desejo ávido de expandi seus territórios de interesses pessoais.
3) Temo que a igreja corra tanto atrás de bens materiais e acabe esquecendo do tesouro nos céus onde traça e ferrugem não corroem.
4) Temo que a igreja inverta tanto os seus valores que acabe desprezando a dor de Cristo na Cruz.
5) Temo que a igreja fique mais atenta e ouça mais os gritos dos “vendedores de ilusões” do que a voz suave e mansa do Bispo e Pastor de nossas almas.
6) Temo que a igreja tenha mais fé na confissão positiva do que no Poder da Escritura Sagrada.
7) Temo que a igreja caia na dissimulação dos “vendedores de ilusões” e acabe se rebelando contra Lideres sinceros e contra pastores cujo coração anda pelos caminhos da Bíblia Sagrada e firmam compromisso todos os dias com Deus.
8) Temo que a igreja se comova com o choro dos “vendedores de ilusões” e se esqueça das lágrimas do Jesus de Nazaré a sombra do jardim do Getsemâni.
9) Temo que a igreja mate os profetas de Deus que labutam todos os dias no altar do Senhor e carregue nos braços os pró-fetas que falam apenas aquilo que cabe em seu paladar.
10) Temo que a igreja comece a gritar: crucifiquem!!! Crucifiquem!!! Crucifiquem os pastores e libertem os vencedores de ilusões!!!
11) Temo que a igreja ao ouvir os “vendedores de ilusões” comece a gritar: Isto não é voz de homem, mas de deus!!!
12) Temo que a igreja se relacione com Deus apenas para instrumentalizá-lo em favor de seus benefícios.
13) Temo que a igreja transforme a fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos, em cartão de crédito.
14) Temo que a igreja confunda Sagrado e Profano, Mananciais de águas vivas com Cisternas Rotas, o caminho (Jesus) com o atalho (Blábláblá).
15) Temo que a igreja perca a capacidade de vibrar com o poder da pregação do evangelho e passe a se alegrar com entretenimentos de similaridades mundanas.
16) Temo que a igreja sucumba a teologia da prosperidade e saia desesperada atrás de ganhar o mundo todo e perca a sua própria alma afastando-se assim do evangelho da prosperidade.
17) Temo que a igreja se in-pressione com performances nos púlpitos e se esqueçam de conferir se o discurso é compatível com a verdade da Escritura Sagrada.
18) Temo que a igreja tente reduzir a Deus a um mero serviçal que existe para nos fazer felizes desprezando assim o Senhorio daquEle que é Tudo em todos.
19) Temo que a igreja de Deus se contente com jargões contínuos de frases sem sentidos que prometem vitórias e nem um tipo de relacionamento com Deus.
20) Temo que a igreja opte pela frase: “O Fim justifica os meios” e não pelo o que Deus disse: “Façamos o homem conforme a nossa imagem e semelhança”.
21) Temo que a igreja concorde com os gritos dos “vendedores de ilusões”: “Vocês têem que exigir de Deus seus direitos!!!!!!!!”. E acabe esquecendo que em Deus o único direito que temos é o de ter direito nenhum. Tudo que recebemos de Deus é pelo seu amor e por sua Graça Maravilhosa!!!
22) Temo que a igreja confunda espiritualidade com espiritualismo, trabalho com formulas mágicas, manipulação psicológica com palavra pregada no poder do Espírito Santo.
23) Temo que a igreja esqueça que é membro do corpo de Cristo e passe a freqüentar os cultos como quem vai ao supermercado.
24) Temo que a igreja pense tanto na terra dos homens que se esqueça do céu de Cristo.
25) Temo que a igreja torne-se um sal que não salga mais, uma luz que não brilha mais, um ambiente que não acolhe mais e não se comporte mais como a noiva de Jesus.
26) Temo que a igreja se conforme com este século e se in-conforme com a verdade da Escritura Sagrada.
27) Temo que a igreja absolutize a espiritualidade dos montes e relativize a espiritualidade da alma, do coração, da casa, do Templo e da caminhada dia a dia.
28) Temo que a igreja torne-se a sociedade do espetáculo e esqueça da simplicidade que há em Cristo.
29) Temo que a igreja transforme pedras em pães e coma, que caia na tentação de pular do pináculo do templo e se esborrache lá em baixo, que se prostre a Satanás (tudo te darei se prostrado me adorares) e desvie a adoração que apenas Deus é Digno de receber e com isso pereça no deserto.
30) Temo... Meu Deus como eu temo!!!!!!!!! Tenho temor do temor que sinto!!!!!!!!


Jeorgino da Silva